‘Trabalhei muito pelo Tocantins’, diz ex-governador preso em operação

sandoval-cardosoApós ser preso pela Polícia Federal na noite desta quinta-feira (13), em Palmas, o ex-governador Sandoval Cardoso (SD) se defendeu das acusações. “Trabalhei muito pelo Tocantins”. Ele é suspeito de participar de um esquema de fraude em licitações de terraplanagem e pavimentação asfáltica. A operação Ápia teve início durante a manhã de quinta-feira, com 115 mandados expedidos pela Justiça.

Sandoval se entregou na sede da PF e depois foi levado para o Instituto Médico Legal, onde passou por exames de corpo de delito. Posteriormente, foi levado para a Casa de Prisão Provisória de Palmas, onde segue preso.

“Quero que seja esclarecido mais do que qualquer outra pessoa. Eu não licitei nenhuma obra, eu executei”, disse. A defesa de Sandoval Cardoso informou que vai colaborar com as investigações.

Dos 115 mandados expedidos, 21 foram de prisão temporária. Destes, 13 pessoas foram presas e estão na CPP incluindo o ex-governador. Em relação aos sete que faltam, seis são considerados foragidos e um está sob cuidados médicos em São Paulo. Na manhã desta sexta-feira (14), o ex-secretário de Infraestrutura Kaká Nogueira se entregou à PF.

Segundo informações da Polícia Federal, a organização suspeita de fraudar licitações de terraplanagem e pavimentação asfáltica no Tocantins funcionava em três núcleos compostos por políticos, servidores públicos e empresários. A suspeita é de que o grupo tenha desviado R$ 200 milhões.
O superintendente regional da PF no Tocantins, Arcelino Vieira, disse que os núcleos eram formados com a intenção de fraudar e burlar a fiscalização de forma a conseguir lucrar com os serviços, que muitas vezes não eram executados.
“O núcleo político era composto por pessoas que compunham o alto escalão do Estado, dois ex-governadores [Sandoval Cardoso e Siqueira Campos] que, através de contratos com Banco do Brasil, conseguiram empréstimos internacionais”, disse.
O delegado explicou que os empréstimos estavam fundamentados em uma lei estadual, a qual também autorizou o estado a criar um comitê executivo que gerava os recursos e os distribuía para várias secretarias estaduais. Uma delas era a Secretaria de Infraestrutura (Agetrans) que fazia a licitação e o acompanhamento de todas as obras.
Segundo a investigação da PF, os recursos conseguidos através de três linhas de crédito somavam R$ 1,2 bilhão. Deste valor, a Agetrans ficou com R$ 850 milhões para investir em obras nas rodovias, mas os contratos receberam aditivos que se computados, ultrapassariam R$ 1 bilhão.
“Os editais eram recheados de cláusulas restritivas à concorrência que favoreciam empresários do grupo. Ao final se constatou que havia ajuste de preços para dividir o lote entre seis empresas. Está bem clara a existência de um cartel para o fim de fraudar as licitações e desviar dinheiro público federal”, explicou o procurador da república José Ricardo Teixeira.

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