Tragédia: Marido se irrita com música gospel e mata mulher

Elisângela Aparecida Barbosa de Oliveira, de 41 anos, foi morta com um tiro no pescoço após discutir com o marido, na noite de quinta-feira (29), em Campo Grande. O suspeito de 34 anos se irritou ao ver alguma informação no computador da casa, agrediu a dona de casa e atirou, segundo a Polícia Civil. A família informou que a vítima ouvia música gospel e isso teria irritado o homem.

“Quando ele entrou, começou a falar que ela estava traindo, conversando com alguém, mas só estava escutando música”, afirmou o filho mais novo Jhonatan de Oliveira Moreira, de 21 anos.

O crime ocorreu no bairro Vida Nova, região norte da capital sul-mato-grossense. Os filhos do suspeito, de 11 e 12 anos, presenciaram a discussão. Em seguida, a mulher foi levada para o quarto e atingida por um tiro no pescoço.

Em depoimento à polícia, uma testemunha disse que ouviu o barulho de tiro e saiu na rua para ver o que tinha acontecido, momento em que encontrou o suspeito colocando a mulher dentro do carro. Segundo o boletim de ocorrência, ele dizia “amor, fica comigo”.

A vizinha ajudou a socorrer a vítima. No caminho, o combustível do carro acabou e outra pessoa foi chamada para levar a mulher ferida até o posto de saúde Nova Bahia, onde não resistiu aos ferimentos.

Em seguida, o suspeito fugiu e não foi localizado até o momento. A arma usada no crime também não foi apreendida. A Polícia Militar foi chamada e esteve no local do crime.

‘Família sem chão’

Elisângela e o suspeito eram casados há nove anos. O filho mais novo afirmou que a família desconfiava das agressões, mas a mãe nunca confirmou. “Vizinhos tinham falado, conversamos com ela, mas ela nunca se abriu conosco. Vimos marcas, hematomas, mas ela nunca falou a verdade. Estamos conturbados, tristes, sem chão. Por mais que a gente sabia que isso ia acabar acontecendo, é devastador pra todos”, disse o jovem sobre a morte trágica da mãe.

Segundo Moreira, quando a dona de casa era questionada sobre marcas de agressão, falava que bateu na casa ou que tinha caído. “Falava que era culpa da droga, maldita droga. Falava que ele jamais faria isso com ela, que podia bater, mas jamais iria matar. A esperança dela era que ele saísse da droga. Eu pedi para ela morar comigo, mas ela não aceitava, pela crença dela.”

Em maio de 2016, os vizinhos denunciaram e a PM esteve na casa, mas a vítima negou as agressões.

O caso foi registado como feminicídio na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) na Casa da Mulher Brasileira. Elisângela foi a sétima vítima de feminicídio este ano em Campo Grande. Outras 20 mulheres foram vítimas de tentativa de homicídio.

Vizinhos depredaram carro do suspeito após crime (Foto: Gabriela Pavão/G1 MS)

(G1)

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