“Temos um débito com o Brasil”, diz embaixador de Israel

Em entrevista coletiva, forças israelenses explicaram como estão atuando no país.

A explicação mais simples para a participação do Exército israelense nos trabalhos de resgate às vítimas do rompimento da barragem de rejeitos da Vale, ocorrida na sexta-feira (25), foi dada pelo embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley: “Temos um débito com Brasil”.

A frase foi dita durante entrevista coletiva, na tarde desta terça-feira (29), quando as forças israelenses falaram sobre o trabalho em conjunto com as equipes brasileiras.

A missão, que teve início na segunda-feira (28), está sendo realizada por 136 militares do Exército de Israel, o IDF, após ajuda ter sido oferecida pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e aceita pelo presidente Jair Bolsonaro.

O chefe da delegação de Israel, Cel. Golan Vach, falou sobre a utilização dos equipamentos que a equipe trouxe para trabalhar no resgate em Brumadinho.

Ele disse que são três camadas de equipamentos. A primeira são os aéreos: satélites e drones, considerados importantes para apoiar as unidades de busca e salvamento. “São usados para conseguirmos examinar as áreas do desastre e comparar o antes e o depois. São equipamentos visuais utilizados pelo Exército de Israel em suas operações, e que aqui estão sendo usados para direcionar as equipes”, disse Vach.

A segunda camada, explica o coronel israelense, são de equipamentos usados em solo: vários tipos câmeras, como as de infravermelho e as térmicas, que captam calor do corpo, até as simples, capazes de entrar em locais estreitos, além de radares, para solo e água, e localizador de celulares.

O coronel Vach, porém, disse que a terceira camada são os localizadores vivos, formados por cães e homens. “Estes são os mais avançados”, disse. “Com eles conseguimos encontrar quase 99% dos desaparecidos em operações de busca e resgates das quais participamos. Juntos, cães e homens, oferecem um mix de informações que podem nos levar ao êxito das operações”.

Integração

Chefe do Estado-Maior do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o coronel Erlon Dias do Nascimento disse que a integração com a equipe de Israel está acontecendo de forma efetiva. Ele chamou a cooperação de “extremamente positiva, pois temos um país que convive com problemas de natureza catastrófica e que está aqui para troca de experiências [conosco], tanto em tecnologia e como operacionais”, explicou.

O coronel Vach disse que apesar de toda experiência dos militares israelenses e seus equipamentos tecnológicos, estão aprendendo com os socorristas brasileiros. “Temos técnicas, mas estamos aprendendo muito com seus bombeiros, eles nos mostraram coisas muitos simples, como água em alta pressão que transforma a lama em água novamente. Nós nunca pensamos nisso”, admitiu.

O chefe da delegação israelense disse que 15 corpos foram localizados nas primeiras 24 horas de trabalho conjunto. Ele explicou que estão focados nos lugares onde provavelmente havia pessoas. “A maior dificuldade é a instabilidade da camada de lama sob a qual os corpos estão enterrados”, disse.

Convidada a dar um depoimento sobre sua participação da missão de resgate, a tenente israelense Amit Levi, 21 anos, disse que estava muito emocionada. Filha de mãe brasileira, falou que significa muito estar no Brasil. “É muito emocionante pra mim poder ajudar o Brasil nesse momento tão difícil. O Brasil é a minha segunda casa e estou muito orgulhosa em colaborar com o Exército brasileiro e fazer o possível para ajudar o povo brasileiro”, disse.

Balanço

O coronel Erlon Dias explicou que na atual fase as equipes já estão começando a entrar no terreno com equipamentos pesados, mas que continuam sendo feitas “escavações com as mãos” em locais onde isso é necessário. Ele contou que a grande dificuldade é que, com a passagem dos dias, o barro se solidifica e não há como os bombeiros fazerem o trabalho manualmente. Nesse caso, só as retroescavadeiras.

A extensão das áreas que sofreram danos em Brumadinho é muito grande, assim como a quantidade de lama liberada pelo rompimento da barragem. Foram 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minérios liberados, que tragaram pessoas, animais, construções e a natureza ao redor, como matas e rio. A lama já percorreu 85 quilômetros desde o complexo da barragem de Brumadinho.

Até a manhã desta quarta-feira (30), a atualização dos números é a seguinte: 84 mortos, 67 corpos identificados, 391 pessoas localizadas e 276 desaparecidas.

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